\n'; document.write(barra); } } changePage();
![]() |
|||||
FELLINI
texto
de Amorim
Vai
longe o tempo em que a Caricatura, tal como ainda hoje a conhecemos, vicejava
por outros caminhos que não os da imprensa. Anterior, em muitos
séculos, ao domínio árabe que introduziu o papel
na Europa e as subseqüentes brincadeiras de Gutemberg, a Caricatura
sobrevivia pelas tortas vielas da Antigüidade nas paredes romanas
(os tais graffiti) e os relatos satíricos dos poetas
gregos. Com o surgimento da imprensa, afinal, a Caricatura consolidou-se
e ampliou seu poder formador de opinião.
Federico Fellini, de certa maneira, fez o caminho inverso. Nascido em 20 de janeiro de 1920, em Rimini, Itália, desde pequeno rabiscava suas caricaturas a lápis em guardanapos, caixas de papelão e maços de cigarros. Em 1938 chega a Roma, convidado que fora por De Bellis, responsável, então, pelo Marc'Aurelio, jornal satírico de tendência fascista, que à época, tirava 50.000 exemplares. Coincidentemente, era o periodo d'oro do bissemanário (que durou até 1943) e Fellini, que então sofria influências do caricaturista italiano Nino Za, dividia espaço com Marchesi, Zavattini e outros. Nesse período exercia outras atividades menores, como vendedor de diamantes falsificados (!) e redator do "correio sentimental" de uma revista. Em 1943, escrevendo para o rádio, conhece Giullieta Masina, que seria sua companheira por mais de 50 anos. No caótico pós-guerra italiano, abandona a imprensa e começa a trabalhar como roteirista de pequenos filmes na Cinecittá e, em 1950, inaugura sua espetacular filmografia que inclui, entre outros, La Dolce Vita (1957), Otto e Mezzo (1963), Amarcord (1973), sem, contudo, abandonar a Caricatura. Era hábito seu rabiscar as personagens e cenários antes de ligar a máquina, o que explica, em parte, a |
![]() - Cavallo viene dal latino cav che significa cav e allo che significa allo... |
![]() |
|
|
presença
do grotesco em sua narrativa. Ao morrer, em 1993, percebemos claramente
que Fellini jamais abandonou o batente de caricaturista. Apenas trocara
o nanquim dos primeiros desenhos pela emulsão de seus filmes.
|
|
![]() Caracterização de Marcello Mastroiani em La Dolce Vita |
![]() Ilustração de Fellini para E La Nave Va |
![]() Cabeçalho de Marc'Aurelio, de 3 de fevereiro de 1937 |
|