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BELMONTE
texto
de Amorim
Benedito Bastos Barreto, o Belmonte, nasceu em São Paulo, em 1896 e fez-se caricaturista, desenhista, escritor, historiador, pintor e jornalista, tendo como farol suas leituras de Schopenhauer, Eça de Queiroz e Nietzsche. Aos 15 anos, Belmonte publica seus primeiros trabalhos em revistas estudantis de São Paulo, onde começa a desenhar e cometer sonetos. Entra para a Faculdade de Medicina e abandona o curso em seu primeiro ano. Passa a colaborar para o carioca D.Quixote, do jornalista Bastos Tigre, tratando de assuntos paulistas. Em 1921 pousa na Folha da Manhã publicando charges diárias, tornando-se, em pouco tempo, o único grande expoente da Caricatura fora do Rio de Janeiro, onde J.Carlos ("o pai de todos nós", segundo o próprio Belmonte), Raul, Kalixto e outros ditavam as regras. Em 1922, recebe o convite do jornalista Jorge Schmidt para substituir J.Carlos na Careta. Belmonte vem ao Rio, passa um dia na Corte e volta correndo, assustado, por onde veio (hoje muitos cariocas desejariam fazer o mesmo. De volta a
São Paulo, continua colaborando com várias publicações
cariocas. Em 1925, já na Folha
da Noite,
cria o que seria a mais completa tradução do paulistano
médio, que sofria a impotência ante os desmandos e injustiças
dos poderosos de momento. |
![]() Uma das inúmeras cutucadas de Belmonte na ditadura Vargas (Folha da Noite-28/05/1938) |
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que
estava pelo governo Getúlio Vargas. Tiros estes
que acertaram em cheio o III Reich, sendo que só Joseph Goebbels,
ministro da propaganda nazista, abriu o berreiro. Dirigindo-se aos ouvintes
da Rádio de Berlim, em janeiro de 1945, com recortes de charges
na mão, acusou o caricaturista paulistano de receber dinheiro dos
ingleses e americanos para atacar o nazismo. Não recebeu de ingleses,
americanos e muito menos de brasileiros. Belmonte morreu em 1947, aos
50 anos portanto, segundo o atestado de óbito, vítima de
desnutrição profunda e infecção gripal.
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![]() Getúlio Vargas |
![]() Sua maior criação, o Juca Pato |
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